Renata Moura, pura energia criativa

Conhecer o trabalho da designer catarinense Renata Moura é mergulhar em um universo divertido, descontraído e cheio de charme. “O mundo de Renata” é espetacular. Seus trabalhos levam a assinatura de quem equilibra perfeitamente funcionalidade e estética, que misturadas a uma criatividade ímpar, resultaram em peças amplamente reconhecidas pelo público e premiações como um grande talento do design.

Mas quem é Renata Moura? Natural de Joinville (SC), a designer cursou Desenho Industrial e especializou-se em Design Emocional pela PUC/PR. Curiosa, como ela mesmo se define, sempre correu atrás do novo. “Na época da faculdade usei todo o meu tempo para aprender. Fiz dez estágios durante os quatro anos de curso, à vezes dois estágios simultâneos, um de manhã, outro à tarde e enquanto cursava a faculdade à noite. Naquela época eu sabia que o foco não era ganhar dinheiro, e sim conhecimento, então nessa diversidade de estágios, aproveitei para aplicar em áreas completamente diferentes umas das outras, como: estágio numa fábrica de torneiras durante uma das minhas férias (na Docol, em Joinville), em um escritório focado em design gráfico, em um escritório focado em design de equipamentos eletrônicos, fabricantes de móveis, escritórios que faziam produtos de higiene bucal, e assim por diante. Meu primeiro emprego foi numa fábrica de móveis populares e o meu segundo foi numa fábrica de eletrodomésticos, durante essa época me preparei para me lançar na carreira solo”, conta Renata.

A veia empreendedora fez nascer, em 2007, o Studio Renata Moura. “Desde então busco trabalhos onde posso aplicar a diversidade de criação, já z escovas de dente para a Sani ll, xícaras para a Spicy, embalagens de preservativos para a Jontex, luminárias e uma intimidade de projetos de mobiliários. Em 2009 comecei a atender a Coteminas S.A., multinacional brasileira que detém as marcas de cama, mesa e banho: Santista, Artex, Mmartan e Arco Íris (na Argentina). Tenho feito projetos de mobiliário para pontos de venda, curadoria na importação de produtos e principalmente materiais gráficos para a marca Santista, onde redesenhamos a marca, redesenhamos todas as embalagens e temos feito quase que diariamente novas embalagens e materiais gráficos como catálogos e materiais para exposições e pontos de venda”. Renata mora e trabalha há cinco anos na cidade de São Paulo. A opção pela capital paulista veio a partir das maiores possibilidades de participar de feiras, eventos, exposições e até contato com a mídia. Adepta a um estilo de vida muito peculiar, Renata impregnou sua identidade na empresa de forma profunda.

“Eu e minha equipe vivemos motivados, temos um clima harmonioso e divertido, trabalhamos escutando música, tomando muito café, fazendo pausas para um lanchinho em grupo e com a companhia de uma gatinha carinhosa que é a nossa mascote. Temos um horários alternativo, que é das 13:30 às 22h e desde que mudamos o horário o nosso desempenho e satisfação aumentou. Trabalho muito, sou workaholic e muito feliz com o que temos conquistado nesses anos. Desde 2014 estamos prestando serviços para a marca de cosméticos L’Occitane au Brésil, criando para eles frascos, desenho de sabonetes em barra e toda uma linha de embalagens que serão lançados em 2016”.

Design Emocional, ponto de partida de um estilo marcante.

A sensação de que as peças tem vida própria, que transmitem uma enorme energia positiva e que são muito mais do que simples objetos, são algumas percepções despertadas pelas criações de Renata Moura. Mas não são apenas percepções não. “O estilo mais divertido não foi uma escolha consciente, assim como percebo que comecei a aplicar o Design Emocional de forma inconsciente antes mesmo de ter feito especialização na área. Faço muitas coisas acreditando no meu feeling, e quando olho para trás começo a perceber que meu trabalho tem linhas e estilos que convergem para essa linguagem mais divertida”.
Mas o trabalho de Renata não se resume somente em peças com essa característica mais descontraída. “Também crio produtos super elegantes de mobiliário, como o Ampoule Risca de Giz, como os frascos e embalagens para a L’Occitane au Brésil, ou produtos mais sérios e com foco em performance e vendas como as embalagens e catálogos para a Santista (marca de cama, mesa e banho).

“O nosso objetivo é influenciar as pessoas positivamente e gerar novas experiências, que muitas vezes convidam à interação e à nostalgia, sempre contando histórias e aproximando pessoas”.

No design a inspiração é a soma de talento, conhecimento e sensibilidade. Renata Moura busca manter-se aberta para buscar essa inspiração no dia a dia, nos momentos mais inusitados. “Às vezes estou falando ao telefone e começo a brincar com criar formas com o o do fone de ouvido, aí já vejo possibilidades. Em seguida percebo que a sombra dos fios projetada na parede está interessante e já fotografo isso e jogo numa pasta onde tenho tudo separado por temas. As inspirações podem nascer quando eu estou vendo uma exposição, lendo, viajando, andando na rua, comendo, conversando com alguém, a minha cabeça não para”.
Inovar e fugir da rotina são itens que estão na fórmula criativa da designer. “Preciso evitar fazer as coisas sempre do mesmo jeito, então às vezes quebro a rotina e mudo o caminho que faço toda semana para ir no supermercado, ou assisto a um programa que eu nunca nem ouvi falar, acordo num horário que não é do meu costume. Quando começa a colocar esses elementos novos no seu dia a dia, você começa a ver as coisas de outro jeito”.

“O design sempre existiu…”

“…mas a gente não reparava”. Assim, de forma simples e clara, Renata deixou sua visão sobre a posição que o design assumiu ao longo dos últimos anos. “Percebo que hoje se olha mais para as peças que ‘tem design’ do que antes. Talvez porque nunca paramos para pensar que foi um designer que desenhou o chinelo Havaianas, por mais que ele não tivesse essa profissão, mas foi uma pessoa que encontrou um problema e queria achar uma solução para um chinelo que durasse mais, que fosse bonito”.

Descartável? Não!

O equilibro entre funcionalidade e qualidade das peças para evitar o consumo excessivo é uma das características marcantes do trabalho de Renata Moura – isso mesmo diante de um mercado cada vez mais dinâmico focado no consumo. “Defendo o consumo consciente. Por exemplo, ao invés de comprar uma sombrinha barata feita na China, que vai durar um mês e depois virar lixo, penso que é melhor gastar um pouco mais e comprar um produto de qualidade, que terá uma vida mais longa e que tenha sido produzido preferencialmente no Brasil. Penso que isso vale para tudo, inclusive roupas, móveis e equipamentos eletrônicos. Eu pratico isso e nem por isso parei de consumir, compro menos coisas, geralmente com valores um pouco mais altos que os ‘descartáveis’ e se um dia eu não quiser mais o produto, ele ainda estará em condições boas para ser doado, vendido ou trocado, por exemplo. O planeta não vai aguentar o consumo como tem sido feito e estimulado, existem maneiras de criar produtos atrativos, com qualidade e funcionalidade sim, e que geram vendas”.

Em Santa Catarina…

No estado, atualmente, Renata atende aos clientes Renar Móveis de Fraiburgo e as marcas Benita Brasil e MDesign, ambas da Mannes, de Guaramirim. Atuou ainda durante cinco anos Whirlpool, fábrica que detém as marcas Brastemp e Consul, na cidade de Joinville.

“Sou apaixonada pelo meu estado natal e gostaria de estreitar meus laços com mais empresas catarinenses”

Talento reconhecido

O primeiro prêmio de Renata Moura veio em 2002: o Prêmio Nacional de Estudante no Salão Design Movelsul (hoje de Salão Design). A sequência foi a conquista de uma Menção Honrosa do Museu da Casa Brasileira em 2004, com o pufe UoooU. “Também foi marcante, pois foi minha primeira premiação como profissional e um dos jurados foi o ilustre designer Sérgio Rodrigues”. Posteriormente a designer recebeu outras premiações como o IDEA/Brasil e estar nas finais no concurso alemão IF Awards e no norte americano IDEA/EUA. “Uma das mudanças na minha carreira aconteceu depois que o banco Goma começou a ganhar prêmios e ser finalista em concursos, isso gerou muito mídia espontânea e começou a abrir mais portas”.

Data da publicação: Agosto/Setembro de 2015

Edição nº 19 – Ano 03