Antiga Vocação
Responsável por uma das mais bem-sucedidas peças de design brasileiro, Renata Moura conta como se apaixonou pela profissão ainda criança.

A pequena Renata, de apenas quatro anos, ainda não fazia idéia do que significava a palavra “design” e, certamente, sequer cogitava que profissão exerceria. A paixão por desenhos, maquetes e criações diversas, porém, nasceu assim que ela viu, inocentemente, o projeto feito por um arquiteto para a nova casa da família. Três anos mais tarde, com uma revista de decoração nas mãos, a menina decidiu, do alto dos seus sete anos de idade, que esboçar e desenhar produtos como aquele era o que ela queria fazer da vida. “Ia a exposições com a minha família, lia revistas de decoração e livros de arte e ganhava ‘aulas’ sobre acabamento com a minha mãe, decoradora nata com um bom gosto incrível”, lembra a designer.

A escolha rendeu os melhores resultados possíveis e continua proporcionando frutos para a virtuosa designer. Amplamente premiada, apesar da jovem carreira, a catarinense Renata Moura tem um portfólio recheado de lindas peças de design e decoração, que vão de bancos e pufes a estilosos frigobares retrô – é dela, aliás, a criação dos cobiçados minirrefrigeradores com cara de década de 1970, lançados em 2007 pela Brastemp.

Para saber melhor como funciona a mente e as criativas mãos de Renata Moura, a Revista Colombo Premium, conversou com ela sobre inspirações, reconhecimento do público e características dos projetos.

RCP: Como são suas principais fontes de inspiração?
RM: Muita coisa me inspira. Gosto de me cercar de peças bacanas que coleciono na minha casa de no meu estúdio. Estou sempre atenta e aberta a inspirações: uma sombra, uma caixa no lixo, uma nuvem, uma fruta, um filme, tudo pode despertar ideais. Claro que eu estou sempre buscando inspirações em viagens, exposições, livros, revistas, na internet, acompanhando filmes, animações e feiras de design. Também estou sempre de olho no mercado e nos lançamentos das empresas e dos designers que mais gosto.

RCP: Quais são as principais características que você procura incluir em seu trabalho e seus projetos?
RM: Para mim, é essencial que os produtos tenham qualidade e durabilidade, que sejam confortáveis e belos, tenham história e realmente façam a diferença. Não quero que as pessoas comprem as minhas peças por comprar, sem desenvolver uma relação afetiva com elas. Podemos fazer esse trabalho para todos os grupos de pessoas e para qualquer tipo de produto, bastando que o empresário tenha abertura para isso. Meu objetivo é influenciar as pessoas positivamente, trazendo mais conforto e prazer, incitando bons pensamentos e boas experiências.

RCP: Quais são os materiais mais utilizados em seus projetos?
RM: Como trabalho com uma diversidade grande de projetos, a variedade de materiais também é vasta. Atualmente tenho utilizado bastante tecidos, espuma de poliuretano, madeira maciça, painéis de madeira e diversos tipos de plástico.

RCP: Os produtos retrô têm feito muito sucesso nos últimos anos. Nesse estilo, você criou a linha de frigobares da Brastemp, que foi muito bem recebida. A que se deve essa era retrô em pleno século 21?
RM: O ponto principal é a nostalgia que sentimos pelo que vivemos, como a saudade da casa da vó, ou até mesmo pelo que nunca vivemos. Outra característica é a honestidade, pois naquela época os produtos eram projetados para durar “para sempre”, já que não existia a obsolescência programada. Também têm inocência, simplicidade e familiaridade, pois são produtos que, em vez de nos intimidar, convidam-nos à interação.

Data da publicação: Fevereiro de 2013

Edição nº 28