DDD – design decoração diversão

Nada de deixar a casa sóbria; móveis coloridos, lúdicos e engraçadinhos enchem o ambiente de alegria e surpresa.

Já pensou em ter uma casa decorada com objetos bem criativos, que fazem lembrar a infância, ou um filme, ou ainda uma comida? A tendência dos móveis divertidos, que transformam o cotidiano numa experiência mais agradável e lúdica, está ganhando cada vez mais espaço e revelando novos designers no Brasil.

A “brincadeira”, no entanto, começou faz tempo, com o carioca Sérgio Rodrigues, ainda na década de 1960. Foi ele quem criou a poltrona mole, inspirando-se na simplicidade das habitações indígenas, as ocas. No mundo, uma das primeiras empresas a criar utensílios domésticos com uma dose de humor foi a italiana Alessi. Entre suas peças famosas estão o saleiro e pimenteiro com ímãs Liliput, do italiano Stefano Giovannoni, e o mata-moscas Dr. Skud, do francês Philippe Starck.

Starck costuma dizer que uma de suas peças mais conhecidas, o espremedor de laranjas Juicy Salif, parecido com uma aranha, imponente e até mesmo sensual, foi criado “para iniciar conversas”. Esta é uma das vantagens de ter um móvel ou utensílio inusitado em casa: certamente não vai faltar assunto com as visitas!

Design fofo

A catarinense Renata Moura é uma das mais festejadas criadores do ramo. Decidiu que seria designer aos 11 anos, ao ver em uma revista uma Panton vermelha. Era a primeira cadeira de plástico injetado, criado pelo dinamarquês Verner Panton. Hoje, aos 29, ainda com rosto e voz de menina, ela já coleciona prêmios importantes por peças como a mesa para telefone Triiim, o banco Goma – finalista no IF Awards alemão e no IDEA americano – e o pufe UoooU.

Uma das criações mais comercializadas de Renata é o modelo retrô da Brastemp. O minirrefrigerador, que parece ter saído da década de 1950, tem 80 cm de altura e é atualmente vendido por entre R$800 e R$1.000.

Renata vive sozinha em Curitiba, num apartamento colorido repleto de coleções: brinquedinhos e toy art, batedeiras e liquidificadores antigos, garrafinhas de Coca-Cola e até alguns objetos estranhos que ela nem consegue explicar o que são. “Até o meu microondas é colorido, ele é amarelo!” diz. “Sou toda colorida, pois geralmente estou buscando alegria e fugir do óbvio.”

É neste ambiente cheio de cores, e também em filmes e desenhos animados, que a designer encontra inspiração para criar seus objetos fofos, que remetem à infância.

“Às vezes uma sombra me inspira, um esmalte, uma caixa jogada na rua… Estou sempre atenta, aberta e consigo ver beleza em tudo!”, conta.

Para a catarinense, um designer deve privilegiar a originalidade, a diversidade, o conforto, a qualidade e ainda o que ela chama de conceito. Isto é, o trabalho deve ter uma razão, uma história”, opina. Não é sem razão que a moça estuda atualmente design emocional. O objetivo é ir além da estética e provocar sentimentos positivos nas pessoas.

A designer comenta que o público que se interessa por suas peças – e por móveis lúdicos em geral – é em geral jovem e adulto, embora algumas de suas criações agradem em cheio também às crianças e aos idosos. Um exemplo é o banco Goma, feito de plástico rotomoldado, com 43 cm de altura, perfeito para ficar dentro do box e servir de apoio para os mais velhos durante o banho. Disponível em 12 cores, faz sucesso também entre a criançada, já apareceu no cenário de reality shows nacionais e em revistas internacionais, e atualmente custa R$290.

Um dos ídolos de Renata no design é o anglo-egípcio Karim Rashid, famoso por suas peças cor-de-rosa e de plástico, mas ela também é fã dos irmãos Campana, como são conhecidos os paulistas Humberto e Fernando Campana, atualmente dois dos criadores mais reconhecidos do mundo, únicos brasileiros com peças no acervo do MoMA, em Nova York.

Os irmãos chamam a atenção por reutilizarem materiais baratos em suas criações, como plástico-bolha, PVC e palha. Uma das mais famosas é a cadeira Favela, criada a partir de lascas de madeira. Os trabalhos do irmãos já foram expostos em Londres e em Nova York e tem admiradores com Philippe Starck.

Data da publicação: Outubro de 2009

Edição nº 106 – Ano 10